Museu de Arte e Ciência em Campina Grande: vale a visita?

Ana Célia Macêdo visita o Museu de Arte e Ciência de Campina Grande

Há lugares que nos fazem olhar para o passado. Outros nos apresentam o futuro. O Museu de Arte e Ciência de Campina Grande consegue fazer as duas coisas ao mesmo tempo

Quem visita Campina Grande normalmente chega com um roteiro quase pronto na cabeça. O Parque do Povo, o Açude Velho e o Museu dos Três Pandeiros costumam liderar a lista. Além disso, toda a atmosfera do Maior São João do Mundo permanece entre os principais atrativos da cidade.

Eu também já conhecia boa parte desse roteiro. Desta vez, porém, resolvi sair um pouco do óbvio.

Queria descobrir uma Campina Grande que vai além do forró, das bandeirolas e das festas juninas. Buscava conhecer a cidade que também se destaca pela criatividade, pela inovação e pela capacidade de reinventar a própria cultura. Foi com esse espírito que cheguei ao Museu de Arte e Ciência de Campina Grande, o MAC.

Reconheço que entrei imaginando encontrar mais um museu moderno, desses que misturam tecnologia e exposições digitais. No entanto, saí com a certeza de ter conhecido um dos espaços culturais mais interessantes da Paraíba.

Não apenas porque utiliza inteligência artificial ou aposta em recursos imersivos. O que mais me chamou a atenção foi a forma como a tecnologia valoriza a cultura, sem retirar dela o protagonismo. Pelo contrário, no MAC, inovação e identidade caminham juntas.

O Museu de Arte e Ciência de Campina Grande reúne cultura, tecnologia e experiências imersivas em um dos espaços mais surpreendentes da cidade.

O Museu de Arte e Ciência de Campina Grande reúne cultura, tecnologia e experiências imersivas em um dos espaços mais surpreendentes da cidade. Imagem: Fampress Abrajet PBTur

Um museu onde o visitante deixa de ser espectador

Logo na chegada, o prédio chama a atenção. A arquitetura contemporânea apresenta linhas limpas, espaços amplos e ambientes bem iluminados. Assim, transmite a sensação de que arte, ciência e tecnologia convivem de maneira natural.

Apesar da linguagem moderna, o museu preserva referências à cultura nordestina. Desse modo, cria um equilíbrio interessante entre inovação e identidade.

Tudo é bem planejado, organizado e acolhedor. Por isso, o visitante se sente convidado a explorar cada ambiente sem pressa.

A proposta combina com uma cidade reconhecida pela força de sua inovação. Campina Grande também integra a Rede de Cidades Criativas da UNESCO, na categoria Artes Midiáticas.

Durante a minha visita, duas exposições estavam em cartaz. Curiosamente, elas abordavam temas completamente diferentes. Uma mergulhava na literatura de cordel. A outra me transportava para o litoral nordestino.

Apesar das diferenças, as duas conseguiram me fazer esquecer o relógio.

Dentro do Verso: quando o cordel ganha vida

Talvez você imagine que Dentro do Verso seja apenas uma exposição sobre literatura de cordel. Eu também pensei assim. Contudo, bastaram poucos minutos para perceber que havia subestimado a proposta.

Em vez de apresentar o cordel apenas por meio de vitrines e painéis explicativos, a exposição convida o visitante a atravessar essa história.

À medida que a visita avança, cresce a sensação de caminhar pelas páginas de um folheto. Passei por antigas máquinas fotográficas, conhecidas como “lambe-lambe”, máquinas de datilografia, matrizes de xilogravura, carimbos e papéis…

Além disso, objetos e projeções mostram como essa literatura popular era produzida e distribuída nas feiras de rua.

Sendo nordestina, é impossível não recordar a importância do cordel para a preservação da nossa memória. Seus versos registram o humor, a política, a religiosidade e os costumes do cotidiano do nosso povo.

Capa do Cordel Feito Por IA no MAC Ana Célia Macêdo e Teresa Duarte

Capa do Cordel Feito Por IA no MAC. Participaram da Experiência Ana Cêlia Macêdo e Teresa Duarte, além de outros jornalistas

Inteligência artificial encontra a tradição

Um dos momentos mais curiosos ocorre quando o visitante pode criar o próprio cordel utilizando recursos de inteligência artificial.

Confesso que fiquei curiosa e participei da experiência. Foi inusitado e, ao mesmo tempo, divertido.

Sobre o que achei da exposição, digo que, num primeiro momento, pode parecer estranho reunir uma manifestação secular, como o Cordel, com uma tecnologia tão atual. No entanto, a proposta funciona muito bem.

A inteligência artificial não substitui o poeta nem descaracteriza a essência do cordel. Pelo contrário, desperta a curiosidade e aproxima o público dessa linguagem.

Do meu ponto de vista, esse é um dos maiores acertos da exposição. A tecnologia aparece como ferramenta e como ponte entre gerações, não como protagonista.

Saí daquela sala pensando que preservar a cultura também significa encontrar novas maneiras de apresentá-la. Nesse sentido, o MAC realiza esse encontro com criatividade e competência.

Museu de Arte e Ciência de Campina Grande Acardumado o mar chegou ao interior da Paraíba Museu de Arte e Ciência de Campina Grande

Acardumado: o mar chegou ao interior da Paraíba

Quando pensei que já havia vivido a principal experiência do museu, entrei na exposição Acardumado. Imediatamente, a atmosfera mudou.

O som das ondas preenchia o ambiente. A iluminação apresentava tons azulados, enquanto o aroma lembrava a maresia. Além disso, a textura da areia completava a experiência.

Por alguns instantes, esqueci que estava em Campina Grande e me senti transportada para Cabedelo, no Litoral paraibano.

Na mostra, nada parece exagerado. Ao contrário, os elementos sensoriais são utilizados com equilíbrio.

Enquanto percorria os ambientes, tive a impressão de que cada visitante fazia uma viagem muito particular. Talvez alguém recordasse a infância à beira-mar. Outra pessoa poderia lembrar um mergulho, um pôr do sol ou a paz provocada pelo oceano.

O artista potiguar Uilo Andrade, autor da exposição, foi muito feliz na composição. Seu olhar sobre o litoral é sensível, afetivo e profundamente ligado às memórias que o mar desperta.

Os sons dialogam com as imagens, enquanto os aromas ajudam a construir a ambientação. Ao mesmo tempo, a tecnologia apenas amplia aquilo que a arte já está contando.

É justamente essa delicadeza que torna Acardumado tão envolvente. Por isso, a experiência permanece na
memória mesmo depois da visita.

Vale a pena visitar o Museu de Arte e Ciência?

Enquanto caminhava em direção à saída, pensei em quantas cidades brasileiras possuem museus. Depois, refleti sobre quantas realmente conseguem transformar uma visita em uma experiência memorável.

O Museu de Arte e Ciência pertence a esse segundo grupo.

Além de preservar acervos, o MAC provoca reflexões, desperta a curiosidade e cria conexões, e isso aproxima crianças, jovens e adultos da cultura por meio de linguagens contemporâneas.

Ana Célia Macêdo

Ana Célia Macêdo

Pessoalmente, acredito que o museu é uma das atrações que melhor representam a nova Campina Grande. Uma cidade que respeita profundamente suas raízes, valoriza a inovação e experimenta novos caminhos.

Planeje sua visita ao MAC

Se você pretende conhecer Campina Grande, reserve pelo menos duas horas para visitar o Museu de Arte e Ciência.

Vá sem pressa. Percorra cada ambiente, observe os detalhes e interaja com as exposições. Além disso, converse com os mediadores e permita-se viver a experiência por completo.

Foi exatamente isso que fiz. Ao final, saí com a certeza de que o MAC é um daqueles lugares que permanecem conosco mesmo depois da visita.

E, se você quiser descobrir Campina Grande por um olhar que vai além dos pontos turísticos, terei prazer em acompanhá-lo nesse roteiro.

Como jornalista de turismo, compartilho não apenas informações, mas também histórias, curiosidades e experiências. Dessa maneira, cada visita se torna mais autêntica e significativa.

Talvez, quando estivermos juntos no Museu de Arte e Ciência, as exposições que me encantaram já tenham dado lugar a outras. No entanto, é justamente essa renovação que mantém o MAC vivo.

A cada visita, novas mostras oferecem outras interpretações, sensações e experiências. Portanto, espero encontrá-lo em um dos próximos roteiros para descobrirmos juntos o que o museu terá a nos revelar.

Eu sou Ana Célia Macêdo, jornalista de turismo e Anfitriã Local We Guide. Estive no Museu de Arte e Ciência a convite da Abrajet Paraíba, durante o Fampress realizado em celebração aos 40 anos da entidade. A ação contou com o apoio da PBTur – Empresa Paraibana de Turismo.

Serviço

Museu de Arte e Ciência de Campina Grande – MAC
📍 Rua João Lélis, 581 — Catolé — Campina Grande (PB)
🕙 Funcionamento: de terça-feira a domingo, das 10h às 19h

Ana Célia Macêdo leva você ao MAC

Quer ir comigo ao MAC?

Esse roteiro também está disponível na We Guide. Pela plataforma, você pode adquirir o passeio e conhecer o Museu de Arte e Ciência acompanhado por mim, em uma visita guiada que vai muito além das exposições. Ao longo do percurso, compartilho curiosidades, contexto histórico, detalhes da arquitetura, bastidores das mostras e histórias que ajudam a compreender por que o MAC se tornou um dos espaços culturais mais inovadores da Paraíba. Acesse a We Guide, reserve sua experiência e venha descobrir Campina Grande por um novo olhar.

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