Localizado a cerca de quatro quilômetros da cidade de Areia, no Brejo paraibano, o Engenho Dona Breja tem se consolidado como uma das iniciativas que unem tradição, qualidade e turismo na produção de cachaça artesanal. Com uma década de funcionamento, o empreendimento surgiu em uma área onde já existia um antigo engenho desativado, resgatando a vocação histórica da região para a cultura canavieira.
O proprietário, Valdo Costa, explica que o projeto nasceu a partir da aquisição de parte da propriedade e da reconstrução da atividade produtiva, agora com foco em processos tradicionais. “Produzimos cachaça nos moldes mais originais possíveis, com alambique de fogo direto e equipamentos de cobre. É uma produção pequena, mas de excelente qualidade”, afirma.

Produção artesanal e reconhecimento nacional
Atualmente, o engenho conta com quatro alambiques de cobre e mantém uma produção limitada, estratégia que tem garantido maior controle de qualidade. Entre os rótulos, estão versões cristal e encorpada, além de cachaças envelhecidas em diferentes madeiras, como umburana, carvalho, bálsamo, freijó e carvalho europeu.
O reconhecimento já começa a aparecer, uma vez que o Engenho conquistou recentemente medalha de prata na categoria bálsamo durante o concurso nacional Areia Mostra Cachaça, fortalecendo o potencial do produto no mercado especializado. Segundo Valdo, a estratégia é direcionar parte da produção premiada para nichos mais exigentes. “Esses produtos acabam sendo vendidos em lotes, muitas vezes para colecionadores e consumidores que valorizam a qualidade e estão dispostos a pagar mais”, destaca.
Inserção em rota turística fortalece visibilidade
Além da produção, o engenho também está inserido no movimento de fortalecimento do turismo regional. O Dona Breja integra a Associação dos Produtores de Cachaça de Areia e passou a fazer parte da tradicional Rota Cultural Caminhos do Frio, e da novíssima Rota Caminho dos Engenhos, uma iniciativa do Sebrae que busca ampliar a experiência no Brejo paraibano por meio de visitas a engenhos históricos da região.
A proposta é abrir as portas para visitação, com programação cultural que inclui apresentações de forró, quadrilhas juninas e gastronomia típica. “Estamos nos estruturando para receber o turista. Queremos proporcionar uma experiência completa”, afirma Valdo. O projeto turistico do Dona Breja vai além, e estão previstos a implantação de um restaurante e o início da produção de rapadura, ampliando o portfólio e a permanência do visitante no local.

Localização estratégica impulsiona crescimento
Outro diferencial do engenho é a localização. Situado a cerca de 500 metros do asfalto, o empreendimento está inserido em um importante corredor produtivo da cachaça no Brejo, próximo a engenhos tradicionais e atrativos turísticos da região. “Estamos em um cinturão muito forte de produção, perto de outros engenhos e de pontos turísticos importantes. Isso fortalece não só o nosso negócio, mas todo o território”, explica o proprietário.
Mercado local ainda concentra vendas
Apesar do crescimento e da qualidade reconhecida, a produção ainda é totalmente absorvida pelo mercado regional. As vendas se concentram em cidades do Brejo e entorno, como Alagoa Grande, Areia, Alagoa Nova, Esperança, Campina Grande, Bananeiras e Solânea.
Parceria no setor substitui concorrência
Mesmo diante de um mercado competitivo, a lógica entre os produtores da região é de cooperação. Segundo Valdo Costa, a relação entre os engenhos é marcada por parceria e apoio mútuo. “Não dá para falar em concorrência quando você vende tudo o que produz. Somos parceiros. Um ajuda o outro, seja com matéria-prima ou em momentos de dificuldade”, afirma.
Essa integração tem sido fundamental para o fortalecimento do setor, especialmente em situações adversas, como o recente incêndio em um engenho da região, quando produtores se mobilizaram coletivamente para prestar apoio.
Entre passado e futuro
Ao resgatar a tradição de um antigo engenho e projetar novos investimentos voltados ao turismo e à diversificação da produção, o Engenho Dona Breja representa um movimento crescente no interior da Paraíba, onde é valorizada a identidade local e a inovação.
Ana Célia Macêdo

