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Roteiro Café & Quilombo conecta memória e afroturismo no Brejo

Ana Macêdo 28 de setembro de 2026 4 min de leitura

Nova experiência turística percorre Bananeiras, Dona Inês e a Comunidade Quilombola Cruz da Menina, reunindo café, patrimônio, história e vivências comunitárias no Brejo Paraibano

O Brejo Paraibano ganha uma nova experiência de afroturismo que propõe revisitar a história da região a partir de quem ajudou a construí-la. O roteiro Café & Quilombo, lançado pela Afrolar Afroturismo, conecta Bananeiras e Dona Inês em dois dias de vivências que passam por cafezais, antigos engenhos, patrimônio histórico e pela Comunidade Quilombola Cruz da Menina.

A proposta parte de uma pergunta que atravessa todo o percurso: quem plantou o café e a cana-de-açúcar, trabalhou nos engenhos e participou da construção do patrimônio que hoje compõe a paisagem cultural do Brejo? A partir dela, o roteiro acrescenta novas narrativas à experiência turística, com atenção à participação da população negra na formação econômica, social e cultural da região.

Café conduz a primeira parte da experiência

Em Bananeiras, o primeiro dia relaciona café, trabalho, poder e caminhos de liberdade. O percurso inclui a Escola Agrícola Vidal de Negreiros, uma vivência no Sítio Flor de Café, com trilha ecológica, manejo agroecológico, torra artesanal e degustação, além do Engenho Martiniano e do Cruzeiro de Roma.

O café funciona como fio condutor da experiência, mas não apenas como produto gastronômico. A proposta é utilizá-lo também para contar parte da história do trabalho e da ocupação do território.

“O propósito do nosso roteiro é contar uma história”, explica Jonas Esperança, proprietário da Afrolar Afroturismo. Segundo ele, a experiência nasceu após uma visita ao Quilombo Cruz da Menina e foi ampliada para estabelecer uma conexão entre a história da escravização em Bananeiras e as trajetórias de liberdade e pertencimento preservadas em Dona Inês.

A construção do roteiro também dialoga com pesquisas sobre a população negra na Paraíba e com o princípio africano Ubuntu, sintetizado na ideia de que “eu sou porque nós somos”.

Dona Inês apresenta memória e território quilombola

No segundo dia, a viagem segue para Dona Inês, onde o visitante conhece o Espaço de Memória do município, a Igreja-Mãe, o Mirante da Serra e o cajueiro relacionado às narrativas sobre a origem da cidade. Depois, o percurso chega à Comunidade Quilombola Cruz da Menina.

No quilombo, a programação aproxima o visitante da comunidade por meio de roda de conversa sobre território e memória, oficina de argila, contato com o artesanato e outras vivências. O encerramento acontece ao entardecer, com o café quilombola, reforçando a presença do café como elemento de ligação entre as diferentes etapas da viagem.

Para o presidente do Fórum de Turismo do Brejo paraibano, Josenildo Fernandes, o afroturismo incrementa a possibilidade de apresentar aspectos da formação histórica do município que têm a população negra como protagonista. Ele destaca ainda a Comunidade Cruz da Menina como parte desse processo, associando preservação cultural, geração de oportunidades e turismo de experiência.

Afroturismo expande a leitura do Brejo Paraibano

Muito além de acrescentar pontos de visitação, o roteiro Café & Quilombo propõe uma mudança de perspectiva sobre lugares já integrados ao turismo no Brejo.

Para o guia de turismo Júlio Matias, a experiência ajuda a relacionar passado e presente. “É mostrar o que tinha no passado e o que tem hoje”, resume, destacando a importância de transformar essa história em vivência tanto para turistas quanto para a própria população.

O roteiro integra um projeto mais amplo da Afrolar Turismo para desenvolver novas experiências de turismo afro-brasileiro na Paraíba, e, de acordo com Jonas Esperança, outros produtos estão em fase de formatação, inclusive “o Café & Quilombo, que foi selecionado para apresentação em uma rodada internacional de negócios na AbavExpo, em São Paulo”, revelou Jonas .

Ao conectar café, engenho, patrimônio e quilombo, a nova experiência acrescenta ao turismo no Brejo Paraibano um olhar que não se limita à contemplação da paisagem. O visitante é convidado a compreender também as pessoas, as memórias e as relações que ajudaram a formar o território.

Ana Célia Macêdo

Serviço

Roteiro Café & Quilombo – Afroturismo no Brejo Paraibano
Informações e reservas: Afrolar – Afroturismo +55 83 9331-8358

🎤 MinutoCast

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