Alagoinha, no Brejo paraibano, potencializa sua presença no turismo regional com o lançamento do roteiro Caminhos do Brejo Vivo, uma experiência que conecta natureza, artesanato, cultura e gastronomia em um único dia de vivência. A iniciativa amplia a oferta turística do município, que já integra o mapa do turismo brasileiro, e fortalece seu posicionamento como destino de experiências autênticas no interior da Paraíba.
Localizado a cerca de 80 km de João Pessoa, o município de Alagoinha é conhecido pela forte presença rural, tradição cultural e proximidade com destinos consolidados do Brejo, como Areia, Alagoa Grande e Pilões. Agora, busca se posicionar com identidade própria, apostando no turismo de experiência como vetor de crescimento.
A secretária de Cultura e Turismo do município, Paula Neves, destaca o caráter coletivo da iniciativa.
“Estou muito feliz em estar aqui hoje apresentando uma nova rota turística para o nosso município. Essa é uma iniciativa construída em parceria com o Sebrae, agentes e guias de turismo, imprensa e empresários locais, que acreditam no potencial da nossa cidade. Com esse trabalho em conjunto, damos um passo importante para fortalecer e impulsionar o turismo em Alagoinha,” declarou.
O roteiro é estruturado no formato bate-volta, com saída de João Pessoa e imersão na zona rural de Alagoinha, incluindo percurso off-road, vivência em engenho, experiências culturais e gastronomia regional. Um modelo alinhado às novas tendências do turismo contemporâneo.
A ex-prefeita do município e atual secretária de Saúde, Maria Farias, reforça o avanço do destino. “Essa é uma conquista construída de forma coletiva. Durante a minha gestão, lutamos muito por isso, e hoje é gratificante ver que se torna realidade. Alagoinha está no mapa do turismo e crescendo a cada dia. E deixo um convite: venha conhecer, temos muitas experiências e riquezas para compartilhar,” disse.

Engenho, cultura e experiência sensorial
O ponto central do roteiro é o Engenho São Pedro, onde é produzida a cachaça Boa do Brejo, um dos principais ativos da região. O produtor, Cícero Ricardo, explica como o empreendimento nasce e destaca o potencial do território. “Estamos em uma área privilegiada, entre Areia, Alagoinha e Pilões. Aqui temos 22 nascentes, trilhas, natureza e produção de qualidade. Agora vamos avançar com um espaço turístico-cultural para receber visitantes”, revelou.
O empreendedor ainda disse que também participou do edital do Governo do Estado voltado ao ICMS Cultural, que incentiva iniciativas ligadas à cultura e ao turismo. “Submetemos um projeto com o objetivo de fortalecer o turismo na região, valorizando a cultura local e promovendo desenvolvimento social. Fomos contemplados com uma das maiores notas do edital, o que reforça o potencial que temos aqui e mostra que estamos no caminho certo para consolidar esse território como um destino turístico estruturado.”
Sobre a Boa do Brejo, Cicero disse que a cachaça nasceu do seu gosto pessoal pela bebida. “Reformei um engenho antigo, busquei capacitação e, em 2020, lançamos as primeiras versões. Em 2021, conquistamos medalha de ouro em Bruxelas, colocando Alagoinha no cenário mundial. Hoje já são 22 prêmios,” finalizou.


Cultura, artesanato e produção local ganham espaço
A experiência no engenho inclui café regional, visita guiada e degustação, além de feira de artesanato e apresentações culturais. Um dos pontos altos da programação é o espetáculo “São Saruê”, apresentado pelo grupo Os Severinos, sob a direção do dramaturgo, ator e produtor cultural Misael Batista. A encenação valoriza a literatura de cordel, a cultura popular e o imaginário nordestino.
Durante a programação, a feirinha cultural reúne artesãos e produtores locais, fortalecendo a economia criativa do município. O escritor Henrique Neto também participou da ação e destacou a relação entre território e a sua literatura. “Eu procuro unir a nossa cultura e a identidade nordestina com reflexões universais. No livro ‘Melaço de Cana’, utilizo os engenhos e a produção da cana como metáfora para os relacionamentos humanos,” explicou.
Entre as artesãs, Maria Madalena destacou a tradição familiar que sustenta seu trabalho. “Aprendi o crochê com minha mãe, aos sete anos. Hoje produzo peças decorativas e sigo desenvolvendo esse trabalho aqui em Alagoinha,” enfatizou. Para Adriana Marcolino, o artesanato além de arte também representa geração de renda. “O artesanato é uma forma de complementar a renda da minha família,” declarou.
Já Maria Clara do Nascimento Silva ressaltou a importância da visibilidade proporcionada pela iniciativa. “Foi maravilhoso participar. A gente conhece pessoas e mostra o nosso trabalho. Isso valoriza a nossa arte,” destacou. Antônia da Silva Rodrigues reforçou a diversidade da produção local. “Trabalho com crochê e costura, produzindo desde roupas até itens de decoração. Estar aqui é uma oportunidade de mostrar o que fazemos,” concluiu.
A produção rural também integra o roteiro com destaque para a participação do apicultor Leandro Silva. Ele diz que “participar desse evento é muito importante para divulgar o seu trabalho e valorizar a produção de mel de Alagoinha.”





Turismo como produto e estratégia de desenvolvimento
A estruturação do roteiro é conduzida pelo Sebrae Paraíba, com foco na criação de um produto turístico competitivo e autêntico. A agente de roteiros turísticos, Alessandra Lontra, ressaltou o processo. “Turismo é produto. É preciso organizar, estruturar e colocar na prateleira para comercialização. Em Alagoinha, o desafio é justamente esse: criar algo novo sem repetir o que já existia.”
Ainda segundo Lontra, o diferencial está na integração de elementos. “Unimos o engenho, a cultura popular, a gastronomia e a produção associada ao turismo, como o mel e o artesanato. Também trabalhamos referências como o cordel de São Saruê e o teatro popular com os Severinos. Esse é um roteiro leve, autêntico e participativo,” revelou.
Alessandra também destaca o impacto econômico. “Mesmo sendo um bate-volta, o roteiro já gera emprego e renda. Muitos destinos começam assim. A tendência é que, com o aumento da visitação, surjam novos investimentos, como pousadas e serviços estruturados,” concluiu.

Um destino em construção
O roteiro Caminhos do Brejo Vivo se consolida como uma estratégia de desenvolvimento territorial. A iniciativa articula cultura, produção, natureza e turismo para posicionar Alagoinha como um novo destino turistico no Brejo paraibano.
Ana Célia Macêdo

