Realizada pela primeira vez no Quilombo Cruz da Menina, a sexta edição reuniu comunidades paraibanas com apresentações, debates, artesanato, gastronomia e ações de fortalecimento das políticas públicas
O 6º Festival da Cultura Quilombola foi encerrado no sábado, (25) de julho, no Quilombo Cruz da Menina, em Dona Inês. Durante a programação, representantes de comunidades de diferentes regiões da Paraíba compartilharam manifestações culturais, saberes tradicionais, gastronomia, artesanato e experiências de empreendedorismo.
Realizado pela Governo da Paraíba por meio da Secretaria de Estado da Cultura, em parceria com o Fórum de Turismo Sustentável do Brejo Paraibano, o Festival foi sediado pela primeira vez no município e aproximou comunidades do Brejo, do Sertão e de outras regiões do estado. O encontro também abriu espaço para debates sobre políticas públicas, enfrentamento ao racismo, protagonismo das mulheres negras e geração de oportunidades nos territórios quilombolas.
A programação começou na segunda (20) de junho e foi realizada durante seis dias. Oficinas, rodas de conversa, apresentações artísticas e exposições de produtos integraram as atividades.

Festival da Cultura Quilombola / Ale Lontra
Dona Inês celebra a realização do festival
Para a secretária de Cultura e Turismo de Dona Inês, Iêda Freire, receber a sexta edição do Festival da Cultura Quilombola representa um momento importante para o município e para a valorização da comunidade quilombola local.
“É uma satisfação receber todas essas pessoas que estão construindo este momento tão especial. Para nós, é muito importante sediar o festival, porque Dona Inês também possui uma comunidade quilombola, o Quilombo Cruz da Menina”, afirmou.
A secretária também deu as boas-vindas às comunidades, aos visitantes e aos representantes que participaram da programação.
“Sejam todos muito bem-vindos à nossa cidade e ao nosso quilombo. Dona Inês é terra de Sérgio Teófilo, e de muitas culturas e tradições. Estamos muito felizes por termos sido escolhidos para receber este momento”, destacou Iêda Freire.

Festival da Cultura Quilombola / Minuto Turismo
Políticas públicas construídas com as comunidades
O secretário de Estado da Cultura da Paraíba, Pedro Santos, afirmou que o festival representa a culminância de um trabalho desenvolvido pelo Governo do Estado em parceria com a Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana.
“A Paraíba possui políticas públicas voltadas às comunidades quilombolas, indígenas e ciganas. Estar aqui é celebrar essas entregas, mas também ouvir as pessoas. Política pública não é algo pronto; ela precisa ser construída continuamente a partir do diálogo com quem vive nesses territórios”, declarou.
Segundo o secretário, a gestão estadual vem ampliando a interiorização das políticas culturais por meio de editais, festivais étnicos e outras iniciativas voltadas à participação das comunidades tradicionais.
“O nosso desafio agora é aprofundar essa presença no interior e ampliar as oportunidades para artistas e grupos culturais quilombolas”, ressaltou.
Pedro Santos lembrou ainda que o festival já passou por diferentes territórios da Paraíba. A programação de encerramento também coincidiu com o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho.
“Aqui convivem o artesanato, a gastronomia, as danças, os saberes e a cultura alimentar quilombola. É um espaço de celebração da diversidade e de fortalecimento da identidade do nosso estado”, acrescentou.

Festival da Cultura Quilombola / Teresa Duarte
Turismo cultural amplia a visibilidade dos territórios
O presidente do Fórum de Turismo do Brejo Paraibano, detacou que “Cada comunidade traz aquilo que produz com suas próprias mãos. É importante que as pessoas conheçam essa riqueza e percebam que existe um enorme potencial econômico e cultural dentro dos quilombos paraibanos”, afirmou.
Nas barracas, os visitantes puderam conhecer peças de artesanato, comidas tradicionais, produtos da agricultura familiar e outras expressões da produção local.
Além de gerar oportunidades de comercialização, a participação nos eventos permite que os produtores apresentem as histórias, os conhecimentos e as técnicas presentes em cada produto.
Para o turismo cultural, esse contato direto contribui para uma compreensão mais ampla dos territórios. A experiência não se limita à compra de uma peça ou à apresentação artística, mas aproxima o visitante das pessoas responsáveis pela preservação desses conhecimentos.

Bianca Cristina Quilombola / Teresa Duarte
Mulheres negras ocupam o centro das discussões
A Vanda Menezes, ressaltou que o festival também se consolidou como um espaço de fortalecimento das mulheres negras e de enfrentamento ao racismo.
Durante a semana, oficinas, debates e atividades abordaram o empoderamento feminino e a atuação das lideranças quilombolas.
“Nós continuamos lutando pelo bem viver. Enquanto houver racismo, não haverá bem viver. Precisamos reconhecer que os povos negros ajudaram a construir este país e continuam construindo diariamente”, declarou.
Segundo Vanda Menezes, representantes de dez de comunidades quilombolas participaram das atividades.

Festival da Cultura Quilombola / Minuto Turismo
Comunidade recebe o festival pela primeira vez
Para Bianca Cristina Quilombola, presidente da Associação Quilombola Cruz da Menina, receber a sexta edição foi motivo de orgulho para a comunidade.
Para ela, o encontro estimulou a troca de experiências entre os territórios e fortaleceu, especialmente, o empreendedorismo das mulheres quilombolas

Imagem Teresa Duarte
Tradições transmitidas entre gerações
Entre as participantes estava Mestra Cida de Caiana, uma das representante da comunidade quilombola Caiana dos Crioulos, localizada em Alagoa Grande.
Ela falou sobre a responsabilidade de manter vivas as manifestações recebidas dos antepassados. Um dos destaques da programação foi a apresentação da Ciranda Desencosta da Parede, preservada há várias gerações pela comunidade.
“É uma tradição que herdamos dos nossos antepassados e que continuará passando de geração em geração. Não queremos deixar essa cultura acabar”, afirmou.
A participação de Caiana dos Crioulos evidenciou como a música, a dança e a oralidade continuam funcionando como instrumentos de preservação da memória coletiva.
Ana Célia Macêdo
* Estive no 6° Festival da Cultura Quilombola, a convite do Fórum de Turismo do Brejo Paraibano com apoio da Empresa Paraiba de Turismo (PBTur)

