Visita à Universidade Federal de Campina Grande integrou a Rota Caminhos da Inovação e revelou como a ciência produzida na instituição ganha forma em um carro desenvolvido integralmente por estudantes
No último sábado (18), durante a programação da Rota Caminhos da Inovação, estive na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), onde conheci um dos projetos que melhor traduzem a capacidade da cidade de transformar conhecimento em tecnologia. Nos laboratórios do Departamento de Engenharia Mecânica, estudantes finalizavam os últimos ajustes no protótipo E2, veículo que representará a universidade na Fórmula SAE Brasil, considerada a principal competição estudantil de engenharia automotiva do país.
À frente da equipe está Pedro Costa, estudante de Engenharia Mecânica e capitão da Scuderia UFCG. Segundo ele, o carro embarca desmontado no próximo dia 24 de julho rumo a Tatuí (SP), que será novamente montado para disputar a competição, realizada entre 31 de julho e 3 de agosto, nas instalações da Ford. Segundo Pedro essa é uma competição de engenharia. “Eles avaliam o projeto, a fabricação e o desempenho do carro na pista. O nosso diferencial é que todo o veículo foi projetado e construído pelos estudantes do Departamento de Engenharia Mecânica da UFCG”, explicou.
Fundada em 2013 como um projeto de extensão, a Scuderia UFCG reúne alunos de diferentes cursos da universidade e nasceu com o propósito de desenvolver veículos do tipo Fórmula, com apenas um lugar, projetados para máximo desempenho aerodinâmico e velocidade em pistas pavimentadas. Após participar de edições anteriores da competição e enfrentar um período de interrupção, a equipe retomou as atividades e volta agora ao cenário nacional com um novo protótipo.
Neste ano, a Fórmula SAE Brasil reunirá 56 equipes, incluindo representantes de universidades brasileiras e instituições do Chile e do Peru. Além das provas dinâmicas na pista, os competidores são avaliados pela qualidade do projeto de engenharia, pelos processos de fabricação e pela viabilidade técnica das soluções apresentadas. Pedro Costa disse que o regulamento exige evolução constante. “Não podemos levar o mesmo carro dois anos seguidos. Precisamos inovar em pelo menos três subsistemas. Nesta edição desenvolvemos um novo chassi, além de mudanças no sistema de freios e na direção”, afirmou.
Outra inovação está em componentes produzidos por impressão 3D, desenvolvidos pelos próprios estudantes em parceria com o Parque Tecnológico e a empresa Alcalitec. A tecnologia foi utilizada para fabricar peças que atendem às exigências técnicas do regulamento e demonstra, na prática, a integração entre universidade, ambientes de inovação e setor produtivo, exatamente a proposta apresentada pela Rota Caminhos da Inovação.
Ainda para Pedro Costa, participar da competição vai além da disputa por resultados. “Quando levamos esse carro para um evento, mostramos a engenharia desenvolvida aqui no Nordeste. É uma oportunidade de projetar o nome da UFCG e de Campina Grande para todo o Brasil”, concluiu.
Costumo dizer que viajar é descobrir aquilo que torna um destino único. Em Campina Grande, essa singularidade vai além dos grandes eventos e das tradições culturais, pois a Rota Caminhos da Inovação mostra uma cidade que abre as portas de seus laboratórios, centros de pesquisa e ambientes de inovação para compartilhar conhecimento.
É um roteiro pensado para estudantes, pesquisadores, profissionais, empreendedores e também para turistas curiosos, que desejam compreender por que Campina Grande se tornou uma das maiores referências em ciência, tecnologia e inovação do Brasil. Afinal, conhecer um destino também é entender as pessoas e as ideias que transformam o lugar.
Ana Célia Macêdo

